Quanta luz, quanta estrela!

"(...) Eu vejo a vida melhor no futuro, eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia que insiste em nos rodear. Eu vejo a vida mais clara e farta, repleta de toda satisfação ... Vamos viver tudo que há para viver (...)"
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Quanta luz, quanta estrela!

"(...) Eu vejo a vida melhor no futuro, eu vejo isso por cima de um muro de hipocrisia que insiste em nos rodear. Eu vejo a vida mais clara e farta, repleta de toda satisfação ... Vamos viver tudo que há para viver (...)"
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Terra Blog

20.04.08

Duplicidade

21 de abril, aniversário da minha mãe.
Uma figura ímpar na minha vida, de uma importância desmedida. A mãe. Minha mãe.

Pois é... praticamente desde que comecei na vida de blog (há quase um ano) que tento criar forças para escrever sobre ela, mas sempre terminando tirando o foco. Talvez medo, vergonha, raiva, não estar preparada ou porque simplesmente não era o momento.
Mas agora sinto que devo escrever sobre ela, por mais que me doa bastante. E como dói, gente.

Os sentimentos em relação a ela são os mais diversos. Bons e ruins. Costumo dizer que são sentimentos ambivalentes e por ela ser uma figura tão importante na minha vida, eu não posso deixá-la simplesmente de lado e fingir que ela não é importante.
(a relação com meu pai é, à vezes, conturbada porque somos muito sinceros, transparentes e parecidos, então batemos de frente - vide post anterior. Mas entre nós dois há verdade. Com minha mãe não sei. Por mais que eu reclame dele, tenho CERTEZA que ele SEMPRE quer meu bem, coisa que não tenho tanta certeza com relação à minha mãe).

Mas deixa-me começar do começo.
Do pouco que lembro da minha infância, eu era muito ligada à ela, ela sempre fazia minhas vontades e eu era a “bonequinha” dela. Sempre me defendia e procurava meu bem. Até que em algum momento, provavelmente eu também sendo responsável por isso, ela mudou. E como mudou. Passou a sempre dar razão à minha irmã (o que acontece até hoje), a brigar muito comigo e me dizer coisas horríveis.
Não esqueço NUNCA de quando eu era adolescente e ela disse “não queria ser sua mãe. Preferia que você tivesse morrido”.

Acho que nunca chorei tanto na minha vida. Foi horrível mesmo. Claro que ela estava muito nervosa, pois estávamos no meio de uma briga feia, mas nada justifica uma mãe dizer isso à filha.
Nesse dia, resolvi passar o dia no colégio, o lugar que eu menos queria estar era em casa. Ela percebeu que tinha errado e veio, à noite, me pedir desculpas chorando. Não, eu não desculpo. Não, eu não esqueço. Está além de minhas possibilidades.
À partir desse dia as coisas mudaram para mim. Eu sempre fui quieta, fechada e calada em casa, mas isso tudo se intensificou e agora, escrevendo, vou me dando conta que também levei essa armadura para fora de casa, nos meus relacionamentos.

Mas não fica por aí. Há certas características nela que eu simplesmente repudio totalmente (não só nela, mas nas pessoas no geral). Características essas que eu tenho um monte e provavelmente por isso repudio (não adianta me perguntar quais são porque não estou pronta ainda para assumir tudo isso para terceiros). E tem ficado cada dia pior conviver com uma pessoa assim.
Ela mente muito, manipula, dramatiza, é dominadora disfarçada (para as pessoas acharem que ela é submissa), egoísta, joga as pessoas umas contra as outras. Enfim, tudo que não gosto nas pessoas.
Se ela faz isso de propósito ou se foi a forma que ela aprender a viver para se defender das decepções da vida, eu não sei. Sei que não gosto e isso mexe comigo.

Por outro lado ela é uma mãe excelente, daquela que faz de tudo para agradar. Faz tudo que pode por mim, me agrada, me elogia, faz minhas vontades, cuida de mim, se preocupa. Perceberam a confusão que habita na minha pobre cabeça? Como uma pessoa tão maquiavélica pode ser tão boa? Será que ela faz isso de caso pensado, manipulando novamente? Será que ela nem percebe que é assim? Será que sou paranóica e louca?
Não sei. Sei que do jeito que está não dá mais. Não confio nela e não a quero por perto, às vezes até sua voz me tira do sério, sua forma de contar mentiras deslavadas (e eu percebendo que ela está mentindo) me enlouquecem, a forma como ela quer comandar minha vida me faz ser ainda mais agressiva.
Ela me faz sofrer, chorar, desejar viver longe daqui, me sentir culpada por sentir tanta coisa ruim pela minha própria mãe.
Por outro lado, não imagino minha vida sem ela. Não mesmo. Ela é uma parte de mim. Alguém que eu não aprendi a viver sem, uma ligação meio simbiôntica mesmo.

Parabéns para uma das pessoas mais importantes da minha vida e uma das que eu mais amo.


  • criado por Candy criado por Candy
  • Postado em 08:49:18
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